Princípios e Propósito da Vedanta - (Part 3)

Centro Ramakrishna Vedanta - BH
09.04.22 07:54 PM Comment(s)

​ Princípios e Propósito da Vedanta - (Part 3) 


Swami Paramananda (1884-1940), um discípulo de Swami Vivekananda, foi um dos pioneiros na divulgação da Vedanta no Ocidente

 Este texto é tradução do original em Inglês “Principles and Purpose of Vedanta” edição de 1910

Reencarnação -


A teoria da evolução está inteiramente baseada na lei do Karma, pois é evidente que algo não pode evoluir do nada. Esta lei também oferece uma explicação satisfatória e lógica para todas as tendências mentais e físicas que temos ao nascer. Sempre que um homem nasce com qualquer poder extraordinário e sabedoria, saiba que ele o possuía mesmo antes de vir a este corpo; pois não adquirimos qualquer poder ou qualidade acidentalmente, mas todo nosso conhecimento e habilidade estão baseados em experiências passadas ou séries de causas. Assim também é com aquele que desde seu nascimento é desprovido de um físico ou faculdades intelectuais adequadas. De acordo com a teoria da Reencarnação, todas as almas passam através de várias experiências de nascimentos e renascimentos até que atinja sua perfeição original. Cada vez que uma alma nasce aqui traz consigo o fruto de todas suas existências prévias, que determina seu caráter e ambiente nesta vida. Visto que estes são o resultado do próprio esforço do homem, não pode ser dito que herda suas tendências virtuosas ou viciosas de seus pais, mas as almas são atraídas para aquele ambiente que está de acordo com seus méritos e melhor adequado para o seu crescimento. Além disso, como os iguais se atraem, nós frequentemente encontramos filhos e pais semelhantes uns aos outros.


A Vedanta reconhece que a teoria da evolução não está completa se confinada apenas aos fenômenos materiais. Ela deve também se estender pelos planos superiores da consciência espiritual do homem. Cada indivíduo tem dentro de si o germe da perfeição, e este não atinge seu total desenvolvimento ao se conseguir um corpo humano ou no período de uma vida. Por isso é necessário para a alma encarnada continuar a evoluir através de múltiplas experiências de prazer e dor até que este germe atinja a manifestação total de sua consciência espiritual. O objetivo de nossa vinda como seres humanos é atingir o autoconhecimento e quando isto é conseguido as correntes da escravidão se quebram para sempre, o homem tornase divino e não terá que vir aqui novamente como um escravo. A teoria da Reencarnação, como vemos, não é nada mais do que a teoria da evolução levada à sua conclusão lógica.

A Imortalidade da Alma -


A imortalidade da alma é outro princípio fundamental da filosofia Vedanta. O Ser do homem não está sujeito a mudança, mais que isso, não nasce jamais e é imortal. Nascimento, morte e tudo o que se encontra no intervalo disso, têm a ver apenas com o corpo físico, que tem um início e deve necessariamente ter um fim. Eles não tocam a alma. “O Ser não nasce, nem Ele morre, mesmo existindo não cessa de existir. Não-nascido, eterno, imutável, sempre existente, Ele não é destruído quando o corpo é destruído.” (Bhagavad Gita)


O corpo decai, mas não a alma, que apenas mora dentro do corpo e o permeia com vida e consciência, que não é maculada por qualquer ação ou condição corpórea, assim como o sol não é afetado pela janela coberta de poeira através da qual ele brilha. Para um verdadeiro Sábio o corpo é apenas uma moradia ou um instrumento que ele usa para a realização de seu estado original de consciência de Deus. A morte não é nada senão ir de uma casa para outra, até que a alma liberte-se do apego às coisas efêmeras e ganhe sua libertação das correntes do Karma. O Karma não tem nenhum poder sobre o Ser real. Ele prende apenas o homem aparente ou externo, que se identifica com a natureza e assim cai sob a lei da ação e reação ou causa e efeito. Somente pela sabedoria o individuo pode transcender esta lei e erguer-se acima das dualidades de calor e frio, prazer e dor, e realizar sua natureza imortal. 


A ideia da imortalidade necessariamente pressupõe nossa pré-existência, pois a eternidade não pode se estender apenas em uma direção. É evidente que aquilo que não tem fim não pode ter um início. Como esta vida atual será uma vida pré-existente para nossa vida futura, do mesmo modo, a vida atual deve ter sido precedida por outras vidas. O Ser é o mesmo sempre, no passado, presente e futuro; mas somente quando nosso coração se desenvolve percebemos Sua glória eterna e assim conquistamos nosso último inimigo, a morte.